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Nunca foi tão importante ouvir o colaborador

Desde o início da crise venho conversando com muitos colegas de RH, que avaliam a possibilidade de iniciar seu projeto de escuta contínua neste momento, mas esbarram na pergunta “devo pulsar no meio da crise?” e prontamente já possuem justificativas para não fazê-lo, tais como:

  • Não queremos criar mais ansiedade enviando uma pesquisa agora...
  • As pessoas estão ocupadas e não tem tempo para responder...
  • O resultado vai ficar ruim, eu já sei disso, então por que perguntar...
  • Nós já temos muitas dúvidas por e-mail, não podemos abrir mais frentes de escuta...
  • Não vamos pedir feedback se não podemos atuar para consertar...

Antes de responder à questão acima e explicar as razões pela qual você deve continuar ouvindo o seu colaborador (e de forma ainda mais intensa), vale a pena uma rápida reflexão aqui. Nós já passamos por crises globais anteriormente, mas por quê esta crise é tão diferente de outras?

Fundamentalmente, acredito que seja porque envolve, simultaneamente: (1) nossa saúde (e risco de morte de pessoas próximas); (2) um elevado grau de incerteza de até onde a crise vai se prolongar e (3) impactos desastrosos na economia (e consequentemente nos empregos). Tudo isso torna essa crise única, e que não se parece com nada que já tenhamos vivido. E talvez por isso requeira práticas igualmente inéditas, que nunca antes tentamos.

Razões para ouvir o colaborador neste momento de crise

Aqui vão algumas razões pela qual você deveria ouvir o seu colaborador continuamente, e ainda mais neste momento da crise Covid-19:

Rapidez de resposta

O cenário muda rapidamente a cada semana, com medidas de isolamento e abertura da economia se alternando e muitas vezes entrando em choque. Entender os impactos do “boom” de informações sobre a produtividade e saúde mental dos colaboradores é essencial. E poder tomar ações assertivas e rápidas é essencial para a sobrevivência de muitas empresas.

Alta taxa de adesão

A taxa média de adesão semanal às nossas pesquisas é de 73%. Ao contrário do que se imagina, os colaboradores estão sim dispostos a usar entre 2 e 3 minutos da sua semana para dar feedbacks. Os estudos da Pulses mostram que a adesão à pesquisa é proporcional às respostas que os colaboradores recebem da empresa, sejam diretas (através de respostas aos comentários anônimos) ou indiretas (através de comunicados de melhorias decorrentes dos resultados).

Acolhimento e Preocupação

Ouvir o colaborador é um gesto de acolhimento e de preocupação com o que ele tem a dizer. Significa que ele importa, e que parar alguns minutos para dar um feedback é tão importante quanto manter a rotina de trabalho andando. Ao sentir que está sendo ouvido, os níveis de ansiedade tendem a reduzir e as esperanças são renovadas.

Conexão, Empatia e Personalização

No cenário de isolamento, ouvir o colaborador é uma forma de se conectar com ele e reduzir o distanciamento. Empatia é fundamental neste momento, pois grupos distintos da empresa devem ser ouvidos de maneira distinta, pois suas realidades são diferentes. Colaboradores em home-office podem estar com dificuldades de equilibrar a produtividade com tarefas de cuidado com filhos e parentes idosos, enquanto colaboradores que precisam estar no local de trabalho estão preocupados com o transporte e meios de se proteger.

Feedbacks abertos: ainda mais importantes

Perguntar abertamente o que preocupa o colaborador, e o que ele sugere que a empresa faça para melhorar a sua experiência é poderoso e pode gerar soluções inovadoras. Com apoio de algoritmos de análise de textos, é possível analisar centenas ou milhares de comentários em minutos, focando nas principais demandas de um grupo. Na Pulses, por exemplo, temos uma funcionalidade de Suggestion Box, que é uma caixa de sugestões que fica sempre ligada para que o colaborador dê sugestões sobre tópicos específicos.

Confiança

Ao ouvir o colaborador e tomar medidas visíveis com base nos resultados, você cria confiança de que está fazendo o possível para passar por este momento, ao mesmo tempo em que preza por oferecer uma experiência alinhada com a sua cultura. E isto certamente será lembrado por todos no futuro, reforçando a própria cultura e a relação de confiança entre colaborador e empresa, fundamental neste momento de crise.

Decisões baseadas em fatos e dados

Para justificar ações mais amplas ou mesmo focadas, você precisará de dados que suportem a sua decisão. Sabemos que em momentos de crise os investimentos são reduzidos ao mínimo, e sem dados para suportar suas hipóteses você corre o risco de não ser ouvido e nada ser feito pela ausência de dados.

 

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Cesar Nanci, CEO da Pulses