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Saúde mental: garantia de bem-estar e de produtividade do colaborador

Por Michelly Dellecave 9 min leitura

Entenda por que a qualidade de vida emocional dos colaboradores pode influenciar na experiência de trabalho e na produtividade do seu time

O Brasil é o país mais ansioso do mundo, com 18,6 milhões de pessoas convivendo com o transtorno, segundo informações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Por esse e outros motivos, falaremos aqui sobre a importância da saúde mental no ambiente de trabalho.

O Movimento Mente em Foco, iniciativa do Pacto Global Rede Brasil, divulga alguns dados alarmantes, e mostra que o momento é mais do que propício para que empresas passem a olhar com atenção para o lado emocional dos profissionais.

Você sabia que 50% dos executivos, de ambos os sexos, usam álcool regularmente? E mais: 26% deles têm insônia, 25% têm alterações das gorduras sanguíneas, 19% sofrem com hipertensão arterial e 16% desenvolvem gastrite. 

Ninguém consegue ter bons rendimentos e ajudar a empresa a crescer diante de problemas de saúde. Vamos, então, incluir o tema na pauta com muitas informações e recomendações que a Pulses preparou neste conteúdo?

Duas pessoas montando um quebra-cabeça que forma uma cabeça, em referência à saúde mental

O que é saúde mental e por que falar disso nas empresas

Vivenciamos a era da hiperconectividade e do fomento constante de discussões sobre produtividade. São aspectos que favorecem o desenvolvimento de transtornos não só ligados à vida pessoal, mas também — e muito frequentemente — à vida profissional das pessoas. 

Mais da metade dos trabalhadores (60%) indica o trabalho como causa de sentimentos como nervosismo, irritação, cansaço, tristeza ou falta de energia. O dado é da Associação Nacional de Medicina do Trabalho.

Os gestores tendem a ter mais facilidade para apresentarem esses problemas, sendo maioria entre os atendimentos de consultórios ligados à especialidade. Alguns aspectos são observados como motivos que aumentam as chances de doenças nesse âmbito, como:

  • Demandas em excesso;
  • Pouco apoio no trabalho;
  • Comprometimento individual em demasia;
  • Baixo controle sobre as tarefas;
  • Recompensas inadequadas.

O impacto vai além, e o efeito “bola de neve” faz com que isso venha a afetar a segurança psicológica de toda uma empresa, desestabilizando as equipes, muitas vezes, em sua totalidade.

Minoria das empresas mantém iniciativas ligadas à saúde mental 

Pesquisas apontam que somente 18% das organizações se preocupam em promover alguma ação de melhoria da saúde mental dos funcionários, e apenas 5% contam com a disponibilidade de um psicólogo para os colaboradores

Isso segue na contramão do cenário em que se encontra o mercado. Levantamentos mostram que 20% dos funcionários ativos trabalham sob forte pressão emocional, o que pode trazer consequências físicas e psíquicas.

Os efeitos também podem ser notado na vida profissional. A queda na produtividade e as faltas recorrentes são fatores de grande influência para os resultados de qualquer negócio.

No Brasil, o estresse é um sintoma comum a 32% dos trabalhadores.

Para reverter esse quadro, políticas focadas no bem-estar corporativo do colaborador são imprescindíveis. É importante que o RH atue estrategicamente nesse sentido, mantendo como foco não só a saúde física, mas principalmente a mental.

Dia da Saúde Mental: qual a importância da data

A assistência emocional ainda é muito precária em todo o mundo. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) informa que os países gastam, em média, menos de 2% de seus orçamentos com essa especialidade médica

O Dia da Saúde Mental surgiu justamente para disseminar a conscientização sobre essa questão. É uma data que já existe há algum tempo: relembrada todo dia 10 de outubro, foi criada em 1992 pela World Federation for Mental Health (Federação Mundial de Saúde Mental).

Mesmo com os avanços alcançados de lá até aqui — no âmbito corporativo houve, por exemplo, o reconhecimento da Síndrome de Burnout como “fenômeno ligado ao trabalho”, que passa a valer a partir de 2022 —, todas as estatísticas demonstram que ainda há muito a ser feito. 

É por isso que o calendário se faz tão relevante. Destacar um assunto preocupante como esse tem como objetivo incentivar diretores e gestores das empresas a se manterem atentos sobre esse ponto.

E, claro, o melhor é sempre atuar de forma preventiva.

Saúde mental no trabalho: fatores de risco e impactos

As lógicas de atuação profissional atuais — vale reforçar aqui as transformações da pandemia,  como  aceleração digital  e  trabalho  remoto — são extremamente diferentes do que já foram um dia.

Novos perfis de mercado e de trabalhadores geraram a necessidade de análises multidisciplinares para a compreensão dessa nova estrutura. A Organização Mundial da Saúde (OMS) lista os seguintes fatores de risco para a saúde psíquica no mundo corporativo:

  • Bullying e assédio psicológico;
  • Políticas de saúde e segurança do trabalho inadequadas;
  • Ameaça de desemprego;
  • Ambiente organizacional;
  • Gestão;
  • Falta de participação nas tomadas de decisão;
  • Políticas inadequadas de saúde e segurança;
  • Recursos insuficientes para as tarefas exigidas.

Como consequência, é grande a probabilidade de impactar drasticamente na produtividade, não só individual, mas também do time. Os prejuízos se tornam ainda maiores quando os índices de engajamento e turnover são afetados.

A retenção de talentos pode ir por água abaixo, o que representa perdas irreparáveis para um grupo, derrubando os resultados.

Qual o papel da empresa na saúde mental dos colaboradores

Um levantamento realizado pela Kenoby (startup de recursos humanos), publicado pelo Valor Econômico, indicou que a falta de diálogo com a liderança é o principal fator entre as causas de danos psicológicos no trabalho.

Assédio moral e constrangimentos, ausências de feedback e metas difíceis de serem batidas vêm na sequência. Isso demonstra o grau de influência que o desenvolvimento constante do time de líderes pode ter.

Gestores preparados para conversas francas e, algumas vezes, difíceis, conseguem constatar insatisfações antes mesmo que elas venham a gerar problemas psicológicos.

Já comentamos neste artigo que agir preventivamente é a melhor opção, e vamos detalhar a seguir o que pode ser feito na prática para fortalecer sua gestão nesse sentido. 

Porém, antes, uma dica valiosa: lembre-se que o êxito de qualquer estratégia depende da atuação conjunta entre RH e líderes! E que, em grande parte dos casos, os gestores são as pessoas mais sujeitas a fragilidades da saúde mental.

Duas pessoas gerenciando um painel de informações em referência ao papel do rh no desenvolvimento do líder

7 ações para aplicar na sua empresa 

Três palavras são essenciais em se tratando de cuidados com a saúde psicológica no trabalho: proteção, promoção e enfrentamento. Ao se assegurar o amparo em todas essas frentes, é possível tanto se antecipar quanto agir em casos de necessidade. 

Temos algumas sugestões que podem ser extremamente úteis para dar início ou ampliar as iniciativas focadas no bem-estar da equipe. Vamos conferir?

1 – Promova um ambiente de trabalho saudável

Converse com todos da empresa a fim de identificar aspectos de melhoria ou de saber se o nível de satisfação de todo o grupo está positivo nesse quesito. Planejar e aplicar pesquisas contínuas por pulso pode trazer inúmeras ideias e revelar a visão real sobre esse aspecto.

2 – Busque e conheça outras histórias

Referências são sempre bem-vindas, e você pode aprender muito com especialistas e líderes de outras organizações. Aliás, o time da Pulses, plataforma de gestão contínua de pessoas, tem uma grande bagagem e está à disposição para te ajudar! 

3 – Mostre caminhos e distribua informação

Cada pessoa pode apresentar oportunidades e necessidades diferentes, e é preciso ter sensibilidade para detectar isso. Desenvolva conteúdos sobre ferramentas de apoio e indicações de assistência em caso de problemas.

4 – Articule a sinergia entre saúde e bem-estar

Um ambiente mais seguro psicologicamente facilita a abertura ao diálogo e cria as condições muitas vezes esperadas pelos colaboradores para que as emoções sejam naturalmente compartilhadas.

Mantenha uma estratégia integrada e incentive discussões sobre saúde e bem-estar no trabalho durante os momentos coletivos da rotina corporativa.

5 – Estabeleça limites para a carga de trabalho

Horários flexíveis, fomento a pausas, momentos de descanso e de lazer são necessários em qualquer dia a dia profissional. O contrário, porém, não deve ser visto como exemplo: pessoas que passam tempo excessivo em função das atividades da empresa devem ser alertadas.

6 – Cuide do clima e da cultura organizacionais

A confiança é a chave para a existência de conversas sinceras e para o tratamento de problemas com seriedade. Questões de saúde mental precisam ser discutidas e acompanhadas como qualquer lesão física.

O monitoramento constante da cultura e do clima do seu negócio vão proporcionar essa clareza durante as trocas da equipe. 

7 – Fale sobre e pratique valores como “transparência” e “coragem” 

Você pode aperfeiçoar características internas, mas há ainda as influências de fora da empresa. A realidade não vai mudar e o mercado competitivo continuará exercendo pressão sobre todos os profissionais.

A melhor forma de enfrentar tudo isso e de abordar temas tão sérios e complexos como saúde mental é mantendo um discurso transparente. Mostrar que todas as pessoas da empresa estão sujeitas à mesma situação pode ser um ótimo e encorajador ponto de partida!

Faça uma avaliação sobre o estado psicológico da sua empresa

Um ambiente de trabalho constituído por profissionais mentalmente saudáveis tem uma excelente base para demonstrar ganhos ainda maiores quando a visão é ampliada para o grupo como um todo. 

Como está sua empresa diante disso?

Através de um questionário aprofundado e desenvolvido com o propósito de analisar dimensões relacionadas a indicadores de confiabilidade e de respeito nas interações, dê o primeiro passo e saiba qual é, hoje, o nível de segurança psicológica da equipe.

O quanto as pessoas se sentem confiantes para serem inovadoras? Estão dispostas a aprender sem nenhum sentimento de incapacidade? Elas percebem um suporte organizacional? Se dispõem a assumir riscos em conjunto com seus pares? Sabem que existe tolerância ao erro?

Então, para fecharmos essa leitura com chave de ouro, vamos partir para a prática descobrindo essas respostas e muito mais:

Pessoas segurando ícones de pesquisa em referência à pesquisa de segurança psicológica da Pulses

Michelly Dellecave Cofounder, Head of Education & Brand da Pulses. Psicóloga, Mestre em Psicologia, pós-graduada em Gestão Estratégica de Pessoas e especialista em Leitura e Manejo de Grupos. Experiência na área de Recursos Humanos e Professora de cursos de graduação e pós-graduação. linkedin.com/in/michelly-dellecave/
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