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Lifelong Learning: o que é e por que incentivar essa prática

Foto de Renato Navas, Especialista Pulses em People Sucess
Por Renato Navas 9 min leitura

Saiba o que é aprendizagem continuada, qual sua importância e por que desenvolver essa cultura na sua empresa 

Acompanhar movimentos de transformação e a demanda do mercado por inovação exige a busca constante por conhecimento. O conceito de lifelong learning é essencial para atingir esses objetivos.

Você se considera adepta ou adepto dessa prática?

Podemos adiantar que o fato de você se dedicar a procurar e ler conteúdos como este faz com que você seja, sim, um lifelong learner! Então, vamos desbravar o assunto neste artigo e descobrir por que essa é uma prática tão relevante para gestores e equipes.

Entenda como incorporar uma mentalidade de capacitação contínua, preparar o time para superar desafios e manter a empresa em uma posição de destaque em um cenário tão competitivo!

O que é lifelong learning?

Se partirmos da tradução, o termo lifelong learning quer dizer “formação continuada”. E aí você pode questionar: ele indica que não devemos parar de estudar e que, de uma graduação, temos que partir para outros degraus de uma formação acadêmica?

Não necessariamente. 

A organização Lifelong Learning Council (LLCQ), na Austrália, define o conceito como uma aprendizagem ao longo da vida, flexível, diversa e disponível, para além da escolaridade tradicional

Lifelong learning se refere a pessoas e empresas que estão sempre dispostas a aprender algo novo, independente do método usado para isso.

Mesmo porque, em qualquer área, seria muito limitante acreditarmos que alguns anos ou graduações de ensino superior seriam o suficiente para ensinar tudo o que é possível aprender. 

Imagem de um homem estudando em uma biblioteca, representando o lifelong learning

Como buscar novos aprendizados

Educar-se continuamente, para quem aposta nessa interpretação sobre aprendizagem, não está condicionado a estruturas formais de conhecimento.

É possível adquirir saberes ao:

  • unir-se a associações profissionais;
  • participar de conferências e seminários;
  • ir a eventos com foco em networking;
  • fazer voluntariado fora do trabalho;
  • ler publicações e artigos  relacionados à função;
  • realizar benchmarking;
  • capacitar-se em cursos livres;
  • cumprir etapas sequenciais à graduação.

A diversidade de meios é um dos atributos primordiais do conceito!

Os sete componentes do ciclo de aprendizado contínuo

Mais do que a necessidade de um diploma, muitas companhias e gestores têm valorizado o aprendizado constante. 

Estimular esse tipo de iniciativa pode contribuir para que cada integrante da equipe reconheça seu propósito de vida. Sem contar que o aprimoramento é uma das formas de assegurar a relevância profissional no meio corporativo.

Os sete elementos que garantem um ciclo de lifelong learning são:

Ilustração do ciclo de lifelong learning, que contém as etapas: Ter foco no crescimento, Tornar-se referência, Estender o conhecimento, Construir sua marca pessoal e rede, Dominar a própria jornada de desenvolvimento, Fazer o que ama e descobrir sua razão de ser (Ikigai)

Fonte: McKinsey

Esses marcos são sugeridos pelo livro “Learn or Lose”, de Nick van Dam, professor da Universidade Nyenrode Business. 

Vale explicar que o termo Ikigai, citado em uma das etapas do ciclo, é japonês e quer dizer “razão de ser”. Propõe o entendimento de todos os elementos da vida, como carreira, hobbies, relacionamentos e espiritualidade, em prol da satisfação pessoal. 

Por que o lifelong learning é tão importante?

Em poucos anos, o ambiente de negócios atravessou muitas transformações. Surgem, a todo tempo, novas metodologias, tecnologias mais avançadas e diversas funções que não existiam em questão de cinco ou dez anos atrás.

É por isso que uma cultura orientada por lifelong learning é um diferencial! Afinal, as vivências apresentam situações diversas (muitas vezes novas) frente ao que foi aprendido em salas de aula. 

A realidade exige continuidade, o oposto do que é sugerido por uma educação formal com começo, meio e fim. Aprender tem que ser tão dinâmico quanto as novidades do mercado. 

Os 4 pilares do lifelong learning 

A teoria sobre práticas de aprendizado contínuo se baseia na proposição de Jacques Lucien Jean Delors, um político e economista francês considerado um pensador da educação. 

Ele descreve, em quatro pilares, o que sustenta o mindset sobre a necessidade de conhecimento ao longo da vida de um ser humano. O conteúdo foi publicado no relatório “Educação: um tesouro a descobrir” (em inglês, “Learning: the treasure within”). 

São quatro vias que não podem ser compreendidas de forma dissociada, pois a finalidade é uma formação holística do indivíduo

A gestão de Recursos Humanos pode trabalhar informações para demonstrar o valor disso no dia a dia. Direcionar a cultura organizacional nesse sentido é uma excelente aposta!

Conheça os quatro pilares a seguir:

Aprender a conhecer

Pode ser difícil para um profissional com anos de experiência em um mercado ou função admitir que tenha algo a aprender, ou que possa vir a fazer determinada atividade de um jeito diferente. 

Por isso, algo precisa despertar o interesse dos colaboradores! Delors defende que compreender, descobrir, construir e reconstruir o conhecimento devem ser reconhecidos como atos prazerosos

Assim, a curiosidade, a autonomia e a atenção permanente ganham espaço para pensar o novo, refazer o velho e reinventar o pensar. É preciso aprender a aprender!

Aprender a fazer

Adquirir uma competência profissional é apenas uma parte do processo. De forma mais ampla, lidar com situações diversas e trabalhar em equipe envolve outras questões.

Delors explica que as experiências sociais e laborais interferem na formação das pessoas, e este é um saber que pode ser buscado informal — com a própria convivência — ou formalmente — em cursos e treinamentos. 

Aprender a conviver

A pandemia exemplificou muito bem o quanto as mudanças tendem a refletir nas relações interpessoais. 

As pessoas tiveram que se adaptar a situações de trabalho à distância, desenvolvendo habilidades com o uso de ferramentas (softwares para videoconferências, por exemplo) nem sempre tão usuais.

Novos aprendizados também interferem no convívio e no comportamento das equipes. Neste pilar, Delors contextualiza a compreensão do outro e a valorização da interdependência com respeito ao pluralismo. Dessa forma, aprendemos a viver juntos e a gerir conflitos.

Aprender a ser

Autonomia e responsabilidade pessoal são termos que exercem grande presença neste pilar. 

Delors recomenda que a educação deve considerar o potencial integral de uma pessoa, o que inclui sua memória, raciocínio, senso estético, capacidades físicas e habilidades de comunicação.

A integralidade de todos os aspectos resultam no que o indivíduo aprende para exercer a função de ser.

Atitudes de um profissional lifelong learner

Nunca é cedo ou tarde para buscar conhecer algo novo! Essa é a única regra.

A educação continuada e auto-orientada é resultado de uma combinação de ações que podem ser praticadas por qualquer pessoa disposta a se desenvolver. 

A lista abaixo pode ajudar a inspirar esse comportamento com algumas das atitudes para potencializar o aprendizado contínuo:

  • manter o hábito da leitura;
  • identificar a melhor forma de aprendizado (por exemplo: ler, escrever, ouvir, praticar);
  • estabelecer metas;
  • procurar grupos com o mesmo interesse;
  • demonstrar curiosidade;
  • buscar opções de cursos.

É importante mencionar que não é só o desenvolvimento profissional, mas também a evolução pessoal que marcam o que é lifelong learning

Por que desenvolver a cultura de aprendizado constante nas empresas

A educação continuada é vantajosa para o profissional e para o ambiente corporativo. Quando o RH insere essa diretriz junto à composição da cultura organizacional, incentiva-se um movimento coletivo de inovação e de melhoria contínua.

Além de criar uma atmosfera condizente com fatores que impulsionam o engajamento e o employee experience dos funcionários, isso insere a corporação em uma conduta compatível com a adaptação exigida pelo mercado.

O surgimento cada vez mais frequente de recursos tecnológicos aliado a forças sociais, econômicas, ambientais e políticas exercem modificações dinâmicas que precisam ser acompanhadas pelas empresas. 

O que os dados têm a dizer sobre lifelong learning 

Há quem arrisque palpites acerca do futuro dos negócios, como uma previsão anunciada pela organização Institute for the Future. Um estudo estimou que 85% dos trabalhos que existirão em 2030 ainda não foram criados.

O levantamento considerou a participação de 3800 líderes de médias e grandes corporações em 17 países, incluindo o Brasil. 56% dos entrevistados afirmaram que as escolas devem ensinar como aprender, e não o que aprender. 

Isso porque acredita-se que nem todas as profissões serão novas, mas sim que muitas funções serão reformuladas

Neste contexto, lifelong learners conseguirão acompanhar mais facilmente as adaptações necessárias.

Como incentivar a educação continuada dos colaboradores

Não basta apenas entender o que é lifelong learning. Precisamos saber como aplicar isso na prática! 

É claro que a proatividade conta muito e, como vimos, os colaboradores têm que exercer a auto responsabilidade pelo seu aprendizado. Mas o desenvolvimento de lideranças e colaboradores pode ser impulsionado, em grande parte, por ações do RH. 

Identificar oportunidades

O RH estratégico tem exatamente essa função. 

Com o alinhamento junto à diretoria sobre os objetivos do negócio e dados de pesquisas de clima e engajamento contínuas realizadas com os colaboradores, é possível fornecer aos líderes os instrumentos necessários para direcionar o progresso de soft e hard skills. 

Facilitar o acesso a meios de capacitação

A empresa pode ser uma facilitadora com parcerias, benefícios e programas internos de treinamento e capacitação. A Kraft-Heinz, por exemplo, criou uma plataforma online de educação chamada “Ownerversity”.

Isso dispensou a necessidade de espaços físicos para educação e possibilitou o acesso dos funcionários a qualquer hora, de qualquer lugar. Os conteúdos reúnem materiais de fornecedores externos — como Linkedin Learning e Harvard Business Review — e discussões em grupo.  

Medir os resultados

Gerir implica em medir continuamente os resultados das ações com a leitura de indicadores. 

Só assim será possível acompanhar a produtividade e o aprimoramento dos times. É quando entram em cena ferramentas como o Plano de Desenvolvimento Individual (PDI), que auxilia líderes e liderados a darem continuidade aos seus avanços na carreira.  

Confira essa dica!

Foi pensando na importância da educação e aprendizado que a Pulses criou um espaço com cursos gratuitos e atualizados, ministrados pelos nossos especialistas. 

Acesse já a Pulses Academy para colocar em prática a sua formação continuada e de toda a equipe!

Ilustração em formato de banner para promover a Pulses Academy, que contribui para o lifelong learning

Renato Navas Renato Navas é Cofounder e Head de People Success da Pulses. Psicólogo, pós-graduado em Administração, especialista em Leitura e Manejo de Grupos, Executive Coaching & Leadership Mentoring, Análise Transacional e Team Coaching. Experiência de mais de 15 anos em programas de desenvolvimento de liderança e de RH. Professor de pós-graduação em Gestão de Pessoas.  linkedin.com/in/renato-navas-27888016/
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